sexta-feira, abril 29, 2016

Shangai Express



A programação da Sinorama para o único dia que teríamos em Shangai previa:

🔸visita ao Museu de Shangai
🔸tempo livre para passear pela Rua Nanjing
🔸passeio pelo Bund
🔸espetáculo de acrobacia à noite

Programa calminho, né? Mas, por algum motivo que não sei, mas desconfio, o programa foi alterado e tivemos um dia tão cheio que não deu tempo nem de jantar, acreditam?
Na tarde - quase noite - anterior chegamos direto de Suzhou para a Rua Nanjing. Foi uma passadinha rápida, quarenta minutos. Foi lindo ver a rua com a profusão de letreiros e luzes, coisa que não teríamos visto numa visita diurna. Gostamos e achamos que o guia estava: certo! Principalmente porque pensávamos que voltaríamos ali no dia seguinte e veríamos a versão diurna da rua. Mas não voltamos... 


Naquela mesma noite, Paco ainda nos propôs, como programa extra, um minicruzeiro pelo Rio Huangpu. Ora, quem haveria de desprezar a possibilidade de ver todos aqueles edifícios iluminados com todas as cores, desde uma posição privilegiada? Aceitamos e, diante da maravilha que víamos, ainda encontramos energia para correr de um lado para o outro do barco para admirar esse ou aquele prédio. Valeu cada um dos 120 yuans pagos. Mais uma vez, o guia estava: certo!



No caminho para o rio, o guia nos contou que uma tradição na China são as casamenteiras: mulheres que facilitam o encontro entre pessoas que querem se casar mas são muito tímidas para procurar um par. Aka, alcoviteiras... Segundo ele, um dos lugares mais visados pelas casamenteiras era o barco do cruzeiro pelo rio. Imaginem, perder todo aquele espetáculo pra ficar procurando marido/mulher.

Logo cedo no dia seguinte, o grupo estava a postos para a programação daquele que seria o nosso último dia em Shangai e na China. Antes da visita ao Museu de Shangai, fomos levados ao Museu da Seda. Ué, novidade na programação? Como ninguém estranhou, achei que eu estava maluca, mas agora, consultando o roteiro, vejo que essa visita não estava mesmo na lista.



A coisa começou bem. Um funcionário, falando um bom espanhol, nos mostrou tudo sobre a criação das lagartas, extração do fio e montagem dos famosos edredons de seda chineses. Mas é claro que não ficamos apenas nessa parte cultural, passamos logo para a parte comercial, onde se vendiam edredons e mais um tanto de artefatos de seda: travesseiros, almofadas, roupas... foi uma longa e cansativa seção de compras.

Dali seguimos para o Museu de Shangai. Com todo o meu respeito pelos 5.000 anos de história chinesa que estão expostos ali, o que me interessou mais foi a bela construção. Vimos uma ou outra galeria de exposições e nos sentamos no salão de chá para esperar que o grupo terminasse a visita. Por fim, uma passadinha na loja do museu e tocamos pro Bund... Sim, o guia pulou o passeio pela rua Nanjing. Parece que o grupo não estranhou, mas eu, que tinha amado a tal rua e queria muito voltar, digo que o guia estava: errado!


O Bund é um longo e moderno deck às margens do Rio Huangpu. Embora estivéssemos sob o sol do meio-dia, não fazia tanto calor e o passeio foi agradável. Andamos apenas no trecho central, de onde pudemos ver o mesmo skyline que víramos no cruzeiro da noite anterior, agora à luz do sol.


Almoçamos sem nenhuma novidade. Foi a comida mais sem graça que tivemos e em quantidade que só foi suficiente porque já estávamos todos enjoados de tanta repetição.

Saímos do restaurante direto para mais um mercado de imitações. Já tínhamos ido a dois deles em Beijing. São mercados onde se vende todo tipo de coisa - eletrônicos, malas, bolsas, roupas, quinquilharias e sei-lá-que-mais - que são cópias dos artigos originais. Os preços não são fixos e a ordem é pechinchar. Com paciência, pode-se chegar a pagar 25%do valor inicial. Eu gosto de pechinchar, mas já tinha exercitado esse esporte em Beijing e não tinha o menor interesse em passar mais três horas - eu disse TRÊS HORAS - num mercado de imitações quando havia tanta coisa lá fora para ser vista, inclusive a Rua Nanjing. Perguntei ao guia se não haveria algo para fazer ali por perto enquanto o povo comprava. Ele sugeriu o Museu de Ciência e Tecnologia (mais um museu!), mas era segunda-feira e estava fechado.

Não sei como essa tarde de compras foi incluída no roteiro. Talvez alguém do grupo tenha pedido. (E nem fomos consultadas em represália à parada na Xiaomi no dia anterior...) Ou será que o guia tem algum intere$$e em levar turistas ao local? Seja como for, o guia estava: errado!


Mas nem tudo foi ruim nessa tarde. Como queríamos conhecer o trem magnético, o guia organizou uma saidinha no meio das compras para dar uma corrida, a 430km/h, no dito cujo. Pegamos o metrô na estação que ficava anexa ao mercado, fomos até a estação Longyang Road e embarcamos no trem rumo ao aeroporto. O trajeto foi feito em sete minutos. Voltamos no mesmo trem. Fizemos o passeio entre três e quatro da tarde que é quando, segundo o guia, o trem atinge sua velocidade máxima. Dessa vez, eu digo que o guia estava: certoForam muito bem gastos os 90 yuans que desembolsamos para essa gostosa aventura vespertina.

Fomos, voltamos e ainda tínhamos quase duas horas para "cumprir" no mercado. Nossa saída dali estava marcada para as 17h30. Foi difícil. Tomamos um lanchinho e fizemos até umas comprinhas pra passar o tempo e gastar os últimos yuans. Mas o pessoal nunca terminava de comprar...  Saímos de lá um pouco depois do horário marcado. E pegamos a hora do rush em Shangai!

Com isso, não conseguiríamos chegar a tempo no restaurante programado para o jantar, no caminho, Paco propôs que comêssemos um lanche do KFC, (mais um!) pois tínhamos que estar às 19h30 no teatro para a apresentação de acrobacia. Ora, se o horário era esse, nunca poderíamos ter ficado nas compras até tão tarde.  O guia estava: errado!

Mais um pouco de trânsito, e o lanche foi transferido para depois do espetáculo. E nós, que já tínhamos almoçado mal, fomos despejados na porta do teatro, onde assistimos à apresentação, que não era nenhuma Brastemp, mas teve seus bons momentos. Na saída, Paco nos esperava com as sacolinhas de lanche e refrigerantes. Hambúrguer de frango para todos e sanduíche de pernil para mim, que havia discutido antes porque não gosto do frango frito do KFC. Alguém gosta? Comemos entre a sala de espetáculos e o ônibus. Maior glamour. Mais uma situação em que eu considero que o guia estava: errado!

Havia ainda uma ideia de subir a uma das torres para ver a cidade do alto, mas devido ao adiantado da hora o plano foi abortado. E assim, chegamos mais uma vez esbagaçados ao hotel. 

Ainda tínhamos que terminar a arrumação das malas. No dia seguinte, partiríamos e tínhamos de estar a postos às 5h30 no lobby do hotel, sem direito a café da manhã. Pode?

Por sorte, encontramos salas vips do querido Diners nos dois aeroportos por onde passamos - Shangai e Helsínque - e pudemos descansar um pouquinho, além de comer lanchinhos caprichados, para aguentar o dia de viagem que tínhamos pela frente: foram quatorze horas e meia voando e seis fusos horários retrocedidos para chegar a Madri. Ufa!

E assim terminamos, vencedoras, a maratona chinesa!


sábado, abril 23, 2016

Encantos e recantos de Suzhou



Eu não tinha nenhuma expectativa com relação a Suzhou. Confesso que não tinha feitoe a lição de casa direito e não sabia nada sobre a cidade por onde andou Marco Polo. Mas a rápida visita, apesar do cansaço do dia anterior, valeu a pena. 

O Jinke Grand Hotel era deslumbrante, mas nem pudemos desfrutar. Chegamos tarde da noite, depois de um dia atribulado, como já contei aqui, e saímos cedinho no dia seguinte. 

O guia nos contou um pouco sobre a história da cidade, destacando seus históricos jardins e os canais que a recortam.

A programação da Sinorama previa uma visita ao Jardim de Liu - um dos maiores e mais famosos da cidade - e um city tour.

Começamos pelo jardim. Era sábado e parece que o mundo inteiro teve a mesma ideia. O lugar estava quase intransitável. 


O destaque no Jardim de Liu é a pedra de Taihu - pico coberto por nuvens - e tivemos a sorte de chegar bem no momento em que um grupo de chinesas realizava uma dança em volta da pedra. Tão bonito que registramos em fotos:


... e em filme:

      

No mais, vimos algumas construções tradicionais, muitas pedras, lagos, flores e um grande espaço dedicado aos bonsais. 

Fomos abrindo caminho entre a multidão e conseguimos ver algumas das belezas que fizeram com que esse jardim fosse considerado pela Unesco como Patrimônio da Humanidade, em 1997. 


A segunda atividade do dia, o city tour, foi ligeiramente modificada. Paco, o guia, disse que a melhor maneira de conhecer a cidade velha era fazendo um passeio de barco pelo canal. Aceitamos. Pagamos os 30 yuans pelos tickets para o minicruzeiro e fomos ver o avesso da cidade. Do nosso posto de observação, pudemos ter uma ideia de como vivem os habitantes da velha Suzhou. Foi um desfile de roupas no varal, vassouras, bacias, baldes e intimidades.


Alternando com os retratos do cotidiano, saltavam também aos nossos olhos outras imagens: pontes, templos e as indispensáveis e consagradas lanternas vermelhas.


Terminado o passeio de barco, Paco nos deu uns minutos livres para passear pelas ruelas do bairro antigo. 

 

Em seguida, almoçamos, visitamos uma oficina de bordados, onde pacientes bordadeiras se dedicavam a produzir verdadeiras obras de arte.  

         

E tocamos para Shangai. Um tempão na estrada novamente, com direito a congestionamento de trânsito na chegada. 

Dias antes, o celular da Ana deu piti. Não lia mais o cartão de memória e todas as fotos da viagem ficaram ameaçadas. Vai daí que ela considerou a possibilidade de comprar também um mi5. Tínhamos o endereço da Xiaomi em Shangai e pedimos orientação para o guia quanto à melhor forma de chegar lá. Ele nos desencorajou a ir de táxi e disse que o lugar ficava no caminho entre a chegada à cidade e o hotel. Assim, se o grupo concordasse, poderíamos parar lá. Éramos apenas 10 pessoas. Foi relativamente fácil convencer o pessoal a parar na loja. Mas... o último lançamento da Xiaomi estava em falta naquela que era a única loja da marca em Shangai. Pena! E ficamos devendo ao grupo esse tempo "perdido".

Durante o almoço em Suzhou e a viagem até Shangai, Paco esteve em contato telefônico com a empresa aérea que nos levou de Chongqing a Shangai e solucionou o caso da mala da Vilma. Ofereceram uma indenização de 500 yuans, um pouco mais de  250 reais, e ela aceitou. Paco se ofereceu pra adiantar o dinheiro e assim foi feito.

Chegamos a Shangai ávidos de um descanso no hotel, mas Paco ainda nos reservava um passeiozinho pela Rua Nanjing, a mais importante rua de comércio elegante da cidade, o jantar com o mesmo tipo de comida que vínhamos comendo desde que chegáramos à China e mais um cruzeiro noturno, encaixado de última hora na programação, como opcional. Aff...


No pequeno hiato de tempo que houve entre o jantar e o cruzeiro, Paco nos levou ao hotel para agilizar o check in. Fomos instados a subir com as malas e descer em seguida. O rio Huangpu nos esperava com as luzes do skyline refletidas em suas águas.


Quando chegamos definitivamente ao Wyndham Bund East, naquela noite, estávamos esbodegados.

sexta-feira, abril 22, 2016

A longa jornada para Suzhou

Era sábado e a cidade de Fengdu estava em clima de festa quando desembarcamos do Century Diamond. 
  

Estávamos cumprindo um roteiro emergencial traçado pelos representantes da Sinorama para possibilitar nosso embarque no voo Chongqing/Shangai no início da tarde. O trajeto Fengdu/ Chongqing, que não teríamos tempo de fazer no barco, seria feito em ônibus. E lá fomos nós.

Chegamos ao aeroporto duas horas antes do voo. O check in foi rápido. Almoçamos em tempo recorde, enfrentamos longas filas no controle de identificação e raio x de bagagem de mão. Saímos afobadas pelos corredores para chegar à nossa porta de embarque e... encontramos o voo atrasado! E sem previsão de horário. O que fazer? Li, o guia expedito, não estava mais conosco, havíamos nos despedido dele no aeroporto de Chongqing. Nosso grupo, de dez pessoas, viajaria desacompanhado até Shangai, onde nos esperava outro guia.

Bem, tomamos um chá de aeroporto, sem possibilidade de nenhum contato. Internet só para os que tivessem um número de telefone chinês. Telefone para uma chamada ao Li... ninguém permitia. Informações... ninguém falava inglês! E estávamos no aeroporto daquela que dizem ser a maior cidade do mundo!
O voo atrasou quatro horas e meia e nem água a companhia aérea Sichuan Airlines nos ofereceu durante a espera.

Quase na hora do embarque, conseguimos um acesso rapidíssimo à internet. Escrevemos um e-mail para o Li com cópia para a Sinorama. Não houve tempo para esperar resposta. Embarcamos! A decolagem demorou mais algum tempo. Total do atraso: cinco horas!

A bordo, nada de chicken or pasta. Nos serviram isso: 



Mas veio acompanhado de Coca-Cola sem gelo. Uma delícia! 

Com essas e mais aquelas, chegamos a Shangai às dez da noite. Na esteira de bagagens, mais um perrengue: a mala da Vilma chegou quebrada. Tivemos que procurar o representante da companhia aérea para as justas reclamações. Não foi fácil e a coisa não se resolveu a contento naquele momento. Enquanto as três se entendiam com o funcionário, eu saí para pedir a ajuda do novo guia, o Paco. Ele disse que não podia entrar e aconselhou a pedir algum documento da Sichuan relatando a ocorrência para resolver a questão depois, mas eu também não pude mais entrar. Esperamos, então, que elas saíssem. (Saudades do Li, que tinha resolvido rapidinho problemas semelhantes nos voos anteriores.)

Como não teríamos jantar, Paco trouxe um lanchinho do KFC para cada um. Ninguem deu muita atenção ao frango frito já meio frio, o que mais queríamos naquele momento era chegar ao destino: a cidade de Suzhou. 

O que não sabíamos era que ainda tínhamos que viajar 200km para chegar ao Jinke Grand Hotel Suzhou.

Durante o trajeto, Paco tentou dar informações sobre a cidade, mas desistiu ao ver que o grupo caía de sono e cansaço.

O relógio marcava uma hora e dez minutos quando chegamos, finalmente, ao nosso destino.

Que dia, senhores! Que dia!

quarta-feira, abril 20, 2016

Dias chuvosos no Yangtsé

Aquele sonho de dias ensolarados no Yangtsé, viajando no luxuoso barco Century Diamond, foi por água abaixo, literalmente.


O mau tempo imperou durante quase toda a viagem e muito do que estava planejado teve que ser mudado ou cancelado. 

Embarcamos em Jingzhou e seguimos no rumo oeste. Nosso destino final seria Chongqing, quase 1000 km adiante. 


Nosso itinerário previa a passagem pelas gargantas: Xiling, Wu e Qutang. Faríamos uma visita à represa das Três Gargantas, o maior projeto hidroelétrico do mundo, (e subaproveitado segundo nosso guia). Passaríamos pelas cinco eclusas que compõem o complexo. Faríamos um passeio em barcos pequenos pela pela garganta Xiling e, por último visitaríamos Shi Bao Zhai - pedra preciosa da fortaleza - um pavilhão vermelho de nove andares que leva a um templo no alto de uma colina, às margens do Yangtsé.

Além disso, nos ofereceram um passeio opcional à Tribo das Três Gargantas, que aconteceria logo na primeira manhã a bordo. Vimos as fotos do lugar e decidimos comprar. Custava 290 yuans por pessoa. 

O primeiro amanhecer no barco foi tristonho. Uma neblina intensa não nos deixava ver quase nada. O barco estava parado e soubemos que o passeio da manhã estava ameaçado. A visibilidade melhorou um pouco, voltamos a navegar, mas a excursão foi mesmo suspensa e, rapidamente, os 290 yuans voltaram para nossas carteiras.

Com o tempo um pouco melhor, foi possível fazer o passeio da tarde: a visita à hidroelétrica. Um ônibus nos levou até o local. Para subir ao mirante, muitas escadas rolantes. No alto uma visão completa da represa, das eclusas e de toda a região. 


Naquela noite fomos dormir de sobreaviso. Para o dia seguinte teríamos a passagem pelas cinco eclusas. Entretanto, por causa do mau tempo, havia um congestionamento de barcos para passar por elas. Nosso comandante não tinha certeza sobre o horário em que receberia permissão para entrar. Assim, a ordem era: se fôssemos passar as eclusas pela manhã, ficaríamos no barco durante a travessia e sairíamos à tarde para o passeio em pequenos barcos. Caso a passagem fosse à tarde, seríamos chamados às 5h30 para levantar, tomar café cedinho e sair para um passeio: o da Tribo das Três Gargantas, que seria oferecido gratuitamente, em troca dos barquinhos.

Nem preciso dizer que a torcida geral foi pelo atraso na passagem das eclusas. O tempo piorou durante a noite, nos atrasamos ainda mais e às 5h30 o telefone soou. Aleluia, a visita à vila estava assegurada. 


Fomos e amamos. Foi tão bom, que penso em dedicar um post só pra contar os detalhes. Por enquanto só digo que as paisagens são as mais belas que vimos durante a viagem e a apresentação dos costumes da tribo é tão simples e natural que a gente até esquece que é apenas uma representação. Pegamos um pouco de chuva durante o passeio, mas deu pra fazer tudo. O tempo, realmente, não estava sendo amigável.


De volta ao barco, continuamos a navegação. Passamos, então pela primeira garganta, a Xiling. Do deck superior pudemos observar a passagem, com narração do diretor do cruzeiro.


A tarde passou enquanto acompanhávamos a subida pelas eclusas. Todo o processo leva aproximadamente três horas e meia. Programa ideal para uma tarde fria e chuvosa.

Saímos das eclusas e encontramos mau tempo no Yangtsé. Paramos novamente. 

Retomamos a navegação à noite. A essa altura, nossa chegada a Chongqing a tempo de pegar o próximo voo estava ameaçada. Os guias e funcionários do barco elaboraram um plano para os dias seguintes. Quem tinha voo na manhã do sábado teve de desembarcar na sexta-feira cedo. Em terra os esperavam ônibus que os levariam até uma estação de trem, de onde seguiriam até Chongqing. Uma viagem de uma hora e meia de ônibus e quatro horas e meia de trem. Dormiriam em Chongqing e, no sábado seriam levá-los ao aeroporto. Não era o nosso caso. 

Para nós, que seguiríamos para Shangai em um voo durante a tarde, o procedimento seria outro. Ficaríamos a bordo até a manhã seguinte. Desembarcaríamos em Fengdu e iríamos de ônibus, numa viagem de duas horas e meia, diretamente para o aeroporto de Chongqing. E com isso, adeus visita ao Shi Bao Zhai com seu imponente pavilhão vermelho.


A sexta-feira passou entre visita à ponte de comando, passagem pela garganta Wu e o jantar do capitão. O jantar coincidiu com a passagem pela garganta Qutang, de modo que só vimos seus paredões pelas janelas do restaurante.

Desembarcamos, no sábado pela manhã, em Fengdu, com o sol brilhando nas águas verdes do Yangtsé. Enquanto esperávamos a saída das malas para poder seguir para o aeroporto pudemos ver o duro trabalho dos carregadores. Olha nossas malinhas ali.

A azul da Ana entre as vermelhas da Rose e da Vilma
A minha aí junto da azul.
Nosso sábado estava apenas começando e nem de leve poderíamos imaginar tudo o que ainda aconteceria até o final do dia. 

terça-feira, abril 19, 2016

Em busca do Yangtsé

Wuhan foi, para nós, apenas um lugar para pernoitar. Chegamos tarde ao Hotel Howard Johnson Pearl Plaza e fomos recebidos com uma faixa luminosa de boas vindas. Poderosa essa Sinorama, hein!

     

A verdade é que estavam no Howard Johnson todos os grupos da agência, de várias necionalidades, que fariam o mesmo trajeto. 

O hotel era o mais luxuoso dos que estivéramos até então. Ficava às margens do Rio Yangtsé, com vista linda para o nascer do sol e para a ponte que cruza o rio. (Mal sabíamos que veríamos muitas outras pontes iguais ao longo do passeio.) Acordamos com uma bola vermelha no céu diante de nossa janela. Um desbunde!

      
   
Não pudemos, infelizmente, desfrutar de todo o luxo do hotel. Logo cedo, deixamos Wuhan, para uma viagem de mais de quatro horas de ônibus até Jingzhou, onde embarcaríamos no Century Diamond para um cruzeiro de quatro dias pelo Yangtsé.

      

E por que não embarcamos em Wuhan, se estávamos na beira do rio? Porque o Diamond é muito grande e não tem condições de aportar em Wuhan. 

Chegamos ao destino na hora do almoço. Aproveitamos o início da tarde para visitar o museu da cidade e caminhar sobre as muralhas, enquanto esperávamos o horário de embarque no Century Diamond. 

     


                           
     
E tocamos para o porto.

A ordem do guia era entrar direto para a cabine, cujos números já eram do nosso conhecimento. Mas já no lobby fomos instadas a escolher o pacote de bebidas que queríamos comprar para usar durante o cruzeiro. Compramos um com 15 cervejas mais duas de brinde, por 600 yuans, para dividir entre Vilma, Ana e eu, já que Rose não bebe. E já tivemos um vislumbre de que os preços praticados no barco não eram nenhuma pechincha.

Nossa cabine no barco era das mais luxuosas. Tínhamos bastante espaço, uma boa varanda e alguns mimos especiais. Além da cama larga e bem confortável, tínhamos um sofá de dois lugares, um bancada enorme para as malas, com gavetões embaixo, espelhões, cadeira, jarro elétrico para aquecer água, TV e geladeira. Na varanda, duas boas cadeiras. E ainda arranjo com flores naturais, um prato com frutas, uma garrafa de vinho, chinelos, roupões e boas amenities. O box do chuveiro era grande e com portas de vidro. Tínhamos duas pias e armários no banheiro. Enfim, estávamos super bem instaladas.

Foi uma delícia poder tirar as roupas de estrada e colocar um vestido para o coquetel do capitão. 

Dormimos essa primeira noite super felizes, navegando no Yangtsé e com a perspectiva de poder acordar mais tarde, tomar café com calma e sair para uma caminhada até uma vila entre montanhas, onde vivia uma antiga comunidade.

Durante a noite, entretanto, o bom tempo que nos acompanhava desde que chegáramos à China, teve uma mudança drástica. A quarta-feira amanheceu chuvosa e com muitíssima névoa. Estávamos ancorados. A navegação estava atrasada e os planos tiveram  de ser mudados.

       
   
Pois é, imprevistos acontecem. E como disse nosso guia Li, todos os problemas do roteiro podiam ser controlados, menos o tempo, pois não somos deuses.

O guia estava: certo!

sábado, abril 16, 2016

Xi'an, cidade para voltar

Chegar ao aeroporto de Beijing para pegar nosso voo para Xi'an foi uma operação de risco. O guia marcou a saída para cinco horas antes do horário do embarque. Achamos excesso de zelo - afinal era um sábado à tarde - mas obedecemos. E, mais uma vez, o guia estava: certo

Enfrentamos trânsito pesado e lento durante todo o caminho. O motorista fez malabarismos assustadores e chegamos ao aeroporto com o tempo justo para fazer o check in e embarcar. Não sobrou nem um minutinho pra tomar um café.

No aeroporto de Xi'an, nos esperava Patricia, a guia local. Falando um espanhol quase madrilenho, Patricia foi m alívio para os nossos ouvidos. Ela nos acompanhou nos dois dias na cidade.

Chegamos à noite e tivemos o deslumbramento de ver as muralhas de Xi'an totalmente iluminadas. Foi um tal de ah! e oh! a cada porta com seu pagode enfeitado de luzes coloridas.

       
     
Li nos havia dito que o Grand Soluxe Internacional Hotel Xi'an, onde nos hospedaríamos, ficava perto da muralha antiga e que seria um bonito passeio para aquela noite. Ele não era o guia oficial naquela cidade, mas prometeu nos acompanhar, já que ele considerava a região perigosa por estar muito perto da estação ferroviária. Deixamos as malas no hotel e descemos para o tal passeio. Foi um furo n'água. Atravessamos a região da estação, Li nos indicou uma rua sem graça ao lado da muralha e nos deixou sozinhos. Disse que seguíssemos por ali cuidando dos pertences e que não falássemos com nenhum chinês. Andamos uns poucos metros e voltamos ao hotel. Passeio sem graça! Dessa vez o guia estava: errado!

Em Xi'an, nossa agenda também foi bem apertada. 

No domingo, fizemos o passeio bam bam bam da cidade: a visita às escavações onde, em 1974, um lavrador encontrou ruínas da tumba do imperador Qinshihuang, com milhares de guerreiros de terracota, e nem se deu conta do tesouro que tinha nas mãos. Não fosse sua mulher insistir e ele teria abandonado o achado. Ah, as mulheres! O que seria dos homens se elas? O homem anunciou sua descoberta, vendeu suas terras para o governo chinês e o local foi transformado num museu. O resto vocês sabem, já que os guerreiros mais famosos cruzaram o mundo e estiveram inclusive visitando o Brasil, há algum tempo.

                               


Nos três poços escavados vimos os soldados em seus postos originais e a carruagem de bronze do imperador, além dos guerreiros principais, expostos em lugar de destaqueO trabalho de restauração das figuras está a pleno vapor e sabe-se que há mais poços a serem escavados. Um luxo!

                                   
     
No final da tarde, feirinha de rua ao lado da muralha, com foco em pincéis e outros materiais específicos para a pintura de caracteres chineses. Depois, um colorido espetáculo de dança da dinastia Ming. Para o jantar, uma degustação de dumplings e... tempo livre.

                         
    
Foi aí que começou a nossa aventura particular. Na saída do restaurante, havia uma legião de táxis e tuc-tucs à espera dos turistas. Negociamos com uma condutora de tuc-tuc uma corrida até o bairro muçulmano: 40 yuans, um pouco mais de 20 reais. Nem regateamos. A farra já começou na hora de entrar no veículo minúsculo. Foi difícil fazer caber ali dentro nossos quatro corpinhos. Encaixadas, a motorista iniciou a viagem. O trânsito em Xi'an é bem caótico e os tuc-tucs parecem estar acima da lei. Andam por qualquer lugar, viram em qualquer esquina, sobem nas calçadas, um espanto! A cada curva um perigo. Ora um ônibus enorme passava raspando, ora fazíamos uma curva inesperada, ora entravávamos entre os carros. A cada movimento, um grito ou uma gargalhada saía das nossas bocas. E a motorista se divertia. Foram 40 yuans muito bem gastos. Tiramos uma foto com a nossa tuctuqueira e saímos, sãs e salvas, para o burburinho do bairro muçulmano. 


Impossível descrever tudo o que acontecia, junto e ao mesmo tempo, na rua principal. Gente, comida, luminosos, lojas, música, um emaranhado de sensações e novas descobertas: o puxador de bala, o cortador de doces... Ana fez um clip rápido que dá uma boa ideia do que vimos. (Quando possível, coloco aqui. Volte pra ver!)


Andamos por toda a rua central do bairro, entramos em lojas, experimentamos doces, observamos tudo e voltamos ao hotel de táxi, sem nenhum acontecimento extraordinário, a não ser o nosso espanto ao ver que o taxímetro não saia dos 9 yuans por um bom tempo. Chegamos a pensar que não estava funcionando. Mas era assim mesmo... A corrida até o hotel ficou em menos de 15 yuans.

O passeio ao bairro muçulmano foi sugestão do Li e da Patricia e dessa vez os guias estavam: certos!


A manhã da segunda-feira era livre. A sugestão dos guias era visitar um templo onde havia uns pagodes interessantes, mas nós decidimos ir às compras. Desde que chegamos na China, Vilma e Rose estavam empenhadas em descobrir uma loja da Xiaomi, a Apple chinesa. Elas queriam conhecer o novo mi5, último lançamento da marca. Quando souberam que havia a tal loja em Xi'an, enlouqueceram. Decidiram usar a manhã livre para ir até lá. Ana e eu ficamos curiosas e fomos também. Adoramos tudo o que vimos. E assim, me tornei proprietária de um mi5 branco que é uma belezinha.

                    
  
Almoçamos num restaurante ao lado do Parque de Relíquias da Dinastia Tang, já fora da cidade, a meio caminho para o aeroporto. Demos uma volta por lá e seguimos para pegar mais um um voo interno. Dessa vez iríamos para Wuhan.



terça-feira, abril 12, 2016

Beijing não é para os fracos


Estávamos na China, finalmente!

Saindo do aeroporto de Beijing, depois do dia/noite difícil que tivemos, Li, nosso guia chinês que falava um espanhol bem peculiar e era incapaz de conjugar um verbo corretamente, expôs o programa do dia: iríamos direto e reto para o Templo do Céu.

Eu disse d-i-r-e-t-o!!!

Sim, nós tínhamos saído de Madri na manhãzinha do dia anterior,  tínhamos voado por quase  doze horas vencendo seis fusos horários e tínhamos pousado em Beijing na manhã do dia seguinte.

As malas seguiram para o hotel numa van (que sorte a delas!) e nós, num ônibus feioso, apertado e mal-cheiroso, fomos apresentados à  bruma cinzenta e ao trânsito caótico da cidade.

O trânsito de Beijing é algo impressionante. Só vendo para acreditar.

As avenidas são largas, há viadutos e passagens subterrâneas, mas os congestionamentos acontecem em toda parte em qualquer hora do dia e da noite.

Tudo nos pareceu sem cor, inicialmente, exceto pelos pessegueiros, em tons de rosa, que há por toda parte. 

Naquele dia, o almoço era livre. Ao nos deixar no hotel, Li nos indicou onde comer ali por perto. Fomos.

Escolhemos um restaurante simples e entramos confiantes. O lugar estava vazio e a moça que nos encaminhou para a mesa nos apresentou um cardápio todo em chinês, sem uma única foto. Fizemos algumas perguntas em inglês. Nada! Ela falava a sua língua sem parar e ninguém entendia ninguém. Ríamos como loucas, sem saber como resolver a situação.

Enquanto isso, se aproximaram da nossa mesa duas chinesinhas adolescentes. Uma delas, teclava em seu smartphone enquanto acompanhava tudo atentamente.

Segundos depois, ela apresentou à Vilma uma tela com um tradutor, Ana falou a palavra noodles e, rapidamente elas se entenderam e a garota voltou à mesa com um cardápio ilustrado.

Escolhemos pelas fotos. Pagamos adiantado e logo tínhamos diante de nós quatro pratos de macarrão com legumes e bastante caldo.

Garfos e colheres, nem pensar. Tivemos que nos virar com os palitos. Foi uma farra só.


O ponto alto foi quando a Vilma pediu o sal e a Rose se pôs a ler os rótulos do galheteiro com ar de quem dominava completamente a escrita. Caímos numa gargalhada incontrolável.

Com todo esse movimento, viramos atração no restaurante. Todos os funcionários saíram de seus postos para nos observar.

Viramos celebridades!

Quando terminamos, deixamos  sobre a mesa 10% do valor pago, a título de gorjeta. Tinham sido tão amáveis e a comida estava tão boa!

Já saindo do restaurante, paramos para conversar com outras duas companheiras do grupo, que haviam chegado depois de nós. Nesse momento, pra encerrar a comédia, a garçonete veio atrás de nós devolvendo a gorjeta. Pela sua cara e gestos, tínhamos feito algo inesperado e incomum.

Começamos bem, fala sério!

Tínhamos tarde e noite livres naquele dia. O guia sugeriu alguns lugares e deu informações sobre horários, itinerários e estimativa de preços das corridas de táxi, bem como alerta para que não tomássemos táxis pretos. Ainda sobre esse tema, nos disse que há motoristas que evitam atender turistas por causa da dificuldade com a língua e que, se tivéssemos dificuldade para pegar táxi na rua, que entrássemos num hotel internacional e pedíssemos ajuda para chamar um taxi por telefone.

Das sugestões do guia, escolhemos ir ao Templo do Lama e à feira de comidas de rua.

Pois bem, estabelecemos um tempo para descansar e saímos do hotel rumo ao templo budista, cuja bilheteria, segundo o guia, fechava às 17h30. Chegamos às 16h35. A bilheteria fechava às 16h30.

O guia estava: errado.

Pena, pois o templo parecia bem bonito pelo que se via por fora. Tratamos de aproveitar o entorno, entramos em várias lojinhas, pechinchamos, compramos lembrancinhas e partimos para a Wangfujing. Queríamos conhecer os famosos espetinhos de insetos e outras esquisitices mais.

Antes de nos atirarmos às ousadias gastronômicas da feira, passamos pela rua comercial, fizemos umas e outras comprinhas e ainda posamos pra fotos com as estátuas da rua.

                  

Na Wangfujng olhamos tudo e comemos pouco. Nossa maior façanha foi experimentar uma fritura de durião. 
Não, durião não é um inseto! Cruz credo! É apenas uma fruta local, parente da nossa conhecida jaca. Gostamos tanto que uma porção da iguaria foi suficiente para nós quatro e ainda demos uma parte para uma senhorinha que estava por ali em busca de restos de comida... 

                     
       
Gostamos mesmo foi das batatas em espiral e dos espetinhos de morango com açúcar. 

Encerramos as aventuras do dia procurando um táxi para voltar ao hotel. Foi uma missão difícil, quase impossível.

Começamos pelos carros parados nas esquinas, mas vimos que não eram confiáveis. Tentamos o truque do hotel. Ana entrou no Novotel, pediu ajuda e não foi atendida. Fizemos sinal a vários táxis que passavam pela rua, evitando os carros pretos, mas poucos nos pareceram confiáveis. Chegamos a negociar com um taxista e fechamos negócio pelo valor que o guia havia estimado: 40 yuans. Entramos, andamos meio quarteirão e o motorista fez sinais pedindo que pagássemos o dobro. Descemos. Encontramos, finalmente, um taxista que concordou em fazer a corrida pelo valor do taxímetro. Cansadas, aceitamos. 

Nem preciso dizer que fizemos um longo city tour para chegar ao hotel, sem contar que achamos que o taxímetro estava meio acelerado. Tudo bem, faz parte... O que não faz parte foi o que aconteceu na hora de pagar os 56 yuans marcados na telinha. Dei uma parte e Rose estava contando o dinheiro pra completar o valor, quando o senhor motorista atacou a carteira dela, querendo roubá-la. Atacamos o dito cujo com uma fúria que talvez tenhamos quebrado seu dedo. Foi um susto!

O guia: estava certo.

Ficamos três dias em Beijing. Viramos a cidade do avesso. Mal tivemos tempo pra dormir. Aos poucos conto tudo o que vimos, se N.S. do WiFi permitir e San Fernán do VPN ajudar.

quarta-feira, abril 06, 2016

A caminho da China - Voando com a Finnair



Eu já contei aqui, mas repito: nosso passeio pela China foi contratado com a Sinorama, uma agência canadense com representação na Espanha.

O motivo? Bem, encontramos um bom roteiro partindo de Madri, com um preço razoável e garantimos guia em espanhol, o que é sempre mais fácil de encarar.

Portanto, tudo o que vai acontecer nas duas próximas semanas, vai ser por conta da Sinorama: voos, hotéis, passeios e até algumas refeições. 

O programa é bem denso e teremos poucos momentos livres para escapadas independentes.

Em Madrid, check in on line feito, malas prontas, lá fomos nós na terça-feira, 5 de abril, de manhãzinha, para Barajas. Fomos de táxi e tivemos a desagradável  surpresa de um acréscimo de quase 50% no valor tarifa fixa que é de €30. Só ao chegar ao Terminal 4 foi que o motorista nos falou de uma "taxa" de €12,50, porque éramos quatro pessoas, disse ele... Acho que fomos exploradas!

Nossos bilhetes aéreos de ida e volta foram emitidos pela Finnair, companhia aérea da Finlândia, e incluíam, tanto na ida quanto na volta, uma conexão em Helsinque.

Apesar do mau humor da atendente do balcão da companhia aérea, conseguimos despachar nossa bagagem rapidamente, passamos pela imigração e ficamos livres para tomar nosso café da manhã antes do embarque. 

O voo saía de Madri às 10h20 para chegar a Helsinque pouco depois das 15h, hora local com um fuso a mais pra nossa coleção. Ficamos, assim, com uma diferença de 6 horas do Brasil.

Durante as 4 horas de voo só nos serviram água e suco. Quem quisesse comer, sempre poderia comprar os lanches superfaturados do avião. E foi assim que chegamos esfomeadas a uma Helsinque fria e com alguns pontos de neve.

Encontrar algo apetitoso para comer no aeroporto, já é sabido, é tarefa difícil. Fomos e voltamos pelo longo caminho entre o desembarque e o nosso próximo portão de embarque e acabamos optando por um lanchinho no Starbucks.

Pra prevenir para o próximo voo, que seria bem mais longo, compramos pão, queijo e vinho a preço de aeroporto: uma fortuna.

Nossos lugares no voo AY051 não foram escolhidos por nós, mas eram bons. Ficamos, nós quatro, com seis  poltronas da fila 41, já que os outros dois passageiros que estariam ali foram realocados porque estávamos na saída de emergência e eles declararam não falar inglês. Assim, viajamos folgadas, sem ninguém na nossa frente, com bom espaço para nossas pernas. O único inconveniente - sempre tem algum, né? - foi que  algumas pessoas usavam o espaço à nossa frente para passar de um lado ao outro do avião, a despeito das nossas caras feias.

Pouco depois de atingirmos a velocidade de cruzeiro, a tripulação anunciou que serviriam o jantar. Deixamos nosso farnel finlandês guardado nas mochilas e aguardamos a passagem dos carrinhos que, ao contrário do usual, não traziam o famoso chicken or pasta. Dessa vez as opções eram chicken or pork.

Durante sete horas e meia cruzamos os céus da Finlândia, da Rússia, da Mongólia e da China e, finalmente, aterrissamos em Beijing, por volta das 7h da manhã do dia 6 de abril. Estávamos, agora, muitos fusos horários à frente dos relógios brasileiros, mais precisamente onze!

Na imigração, uma surpresa: nossos passaportes brasileiros nos davam "direito" a uma passagem pelo serviço de saúde do aeroporto, onde tivemos que preencher um formulário com perguntas sobre contato com pessoas contaminadas pelo zika e estado geral de saúde. Por fim, mediram nossa temperatura e nos deram um OK. Só então pudemos voltar à fila da polícia para obter os carimbos de entrada no país. Ufa!

É claro que tudo isso gerou uma demora maior que a dos outros companheiros de viagem, que já nos aguardavam no saguão do aeroporto, com o nosso guia chinês.

Foi emocionante nossa estreia na terra do camarada Mao, não foi?