quarta-feira, fevereiro 15, 2017

Quatro bacanas em Bikaner


No templo jainista de Bikaner. Foto dirigida pelo monge local. 

Depois dos espantos com as maravilhas de Mandawa e da noite mal dormida no Vivaana Haveli, partimos rumo a Bikaner. Os 140 km de estrada foram vencidos em aproximadamente 4 horas, como previsto, com o mesmo padrão de estrada, maneira de dirigir e trânsito. 

Quando eu falo em maneira de dirigir, vocês devem entender "loucura", mesmo. Primeiro, a mão de direção é inglesa, o que assusta um pouquinho e a gente demora até acostumar. Depois, as ultrapassagens são malucas: o motorista põe a mão na buzina e vai, sem nenhuma visibilidade. Quando acontece de algum veículo dar de cara com outro durante as ultrapassagens, o susto é enorme pois simples mortais como nós têm certeza de que não haverá tempo hábil para que cada qual ocupe seu lugar na pista. Mas parece que quase sempre dá certo, já que só vimos um acidente grave nos mais de 3.000 km que percorremos.

Em Bikaner, o hotel da vez foi o Laxmi Niwas, instalado num antigo palácio, com belos jardins. Nossos quartos eram enormes e, a exemplo do anterior, as portas eram trancadas com cadeados grandes e pesados: interessantes, mas difíceis de manusear.

Tivemos um bom guia local em Bikaner, com quem, na mesma tarde da chegada, visitamos o primeiro dos vários fortes que encontraríamos em nosso percurso: o enorme Forte Junagarh, todo construído em arenito vermelho e mármore. Um desfile de ambientes com pinturas, esculturas, espelhos e ouro, cada qual com seu significado.

Por conta da noite mal dormida e dos remédios que tomei para controlar o enjôo, eu estava meio atordoada nessa tarde, mas me encantei especialmente com a sala onde a pintura invocava água para a terra seca. Olha que lindeza!

       

Nosso passeio vespertino seguiu com uma visita a um criadouro de camelos e um pitoresco passeio pela cidade antiga, escoltadas pelo guia e com direito a uma sinfonia de buzinas das inúmeras motos e tuc-tucs que passavam rente aos nossos corpos naquelas ruelas estreitas e atulhadas de comércio e gente.

Encerramos a tarde com uma passadinha pelo templo jainista da cidade. Foi nosso primeiro contato com os jainistas.

                              

Para o dia seguinte, Pratap anunciou que teríamos um novo motorista. Por algum motivo, a Indovision determinou que seguiríamos viagem com Ajay. E já vou adiantando que, infiéis, esquecemos Pratap rapidinho e elegemos Ajay o nosso preferido, diante da delícia que foi viajar com ele durante os dez dias seguintes.

Tranquilo e seguro na direção, atencioso e afável, sempre disponível, simpático e discreto, Ajay chegava a cada dia com o carro limpíssimo e abastecido com garrafinhas de água mineral para cada uma de nós. Arrumava nossa bagagem com cuidado, nos ajudava a entrar e sair do carro e dava preciosas informações sobre os lugares por onde passávamos, sempre falando baixinho. Um verdadeiro gentleman hindu.

Na primeira manhã com o novo motorista, ainda tínhamos programação na região  de Bikaner, em Deshnoke: visitar Karni Mata Mandir, o templo dos ratos.

      

Sim, isso pode parecer horrível, mas acreditem, não é! 

O guia nos contou que a adoração aos ratos se deve a uma crença de que eles seriam a reencarnação dos antepassados daquelas pessoas que frequentam o templo e por isso os roedores são sagrados naquele lugar.

 Os bichinhos reinam absolutos por ali. Comem, brincam e nunca saem dos domínios do templo, embora as portas permaneçam sempre abertas. O lugar não tem cheiro e a proximidade com os ratinhos não é ruim. É claro que não chegamos ao cúmulo de comer com eles como fazem alguns fiéis, mas convivemos bem com os animaizinhos.

Disse-nos o guia que Karni Mata Mandir está no roteiro dos templos que os recém casados costumam visitar para pedir bênçãos para a nova vida. E não é que havia mesmo um casal por lá? Ela ainda com seu vestido de noiva vermelho e ele de terno, unidos por um cordão. Passavam de altar em altar fazendo orações e pedidos. 

                                 
    
Quando quisemos para fotografá-los, tivemos permissão e, em seguida, eles pediram para posar ao nosso lado para mais fotos. 


        

Para nós, tudo aquilo era inusitado. Mas, na verdade, diferentes éramos nós, tanto que um bando de rapazes nativos se encantou conosco e  foi um festival de cliques vindos dos celulares deles e nossos.   
        
          
    
Naquele dia, ainda tínhamos 5 horas de viagem, com 333 km para percorrer até chegar ao próximo destino: Jaisalmer.

Assim, vistos os ratos sagrados, pusemos o pé na estrada. No meio do caminho, Ajay anunciou uma parada extra no Khichan Bird Sanctuary, para ver as demoiselle cranes, pássaros migratórios vindos do frio para que se concentram ali, à beira de um lago.  Foi lindo!

          

Antes de chegar a Jaisalmer, ainda paramos para ver um museu de guerra. Não curtimos o que estava exposto ali, mas aproveitamos o pit stop pra ir ao banheiro  e tomar um cafezinho, ambos ruins... É, vida de turista nem sempre é fácil, amigos!

2 comentários:

  1. Que delicadezas as pinturas. Fiquei muito impressionada!

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    1. São lindas, sm! É tudo tão inesperado. Em cada canto uma surpresa.

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